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FERNANDO ALAGOA

Blogue Oficial

FERNANDO ALAGOA

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02
Jul18

Matrix

Há dias, revi a trilogia Matrix. Os filmes datam de 1999 e 2003. Matrix de 1999, Reloaded e Revolutions, ambos de 2003, com cerca de 6 meses de intervalo.
Não sei se gostaram dos filmes mas, em minha opinião, Matrix, não é, como poderia pensar-se à primeira vista, um aglomerado de efeitos especiais, inovadores à época, recheados de muitos tiros e pancadaria quanto baste. E se já assim o pensava em 1999, agora parece-me mais evidente. 
Por detrás disso, existe uma mensagem muito mais importante, não propriamente subliminar, mas urge estar atento para a perceber. 
Ressalta à vista a degradação humana e os problemas que resultam da alienação geral. O mundo é maravilhoso se nos bastarmos com o centro da nossa existência e renegarmos os problemas que nos rodeiam. Ignorância é felicidade! O filme acabará também por ser profético. Depois de 1999 a tecnologia evoluiu imenso e o ser humano começou a dar os primeiros passos no alheamento da vida real. O que não consta das redes sociais, parece não existir. A realidade da vida é substituída pelo deslumbre do virtual, com todos os problemas daí advindos. A tecnologia, se não a soubermos dosear é, será cada vez mais, a nova droga do século XXI, com tendência a agravar-se.
Desconheço qual foi a verdadeira intenção dos seus criadores, mas a mensagem parece-me óbvia. Desde logo, não podemos ficar indiferentes aos nomes de alguns dos personagens:
- Neo, em grego, novo, um novo homem, um novo mundo, o renascer de uma nova época?
- Morfeu, do grego, o deus do sono, intimamente ligado aos sonhos; o São João Baptista dos Cristãos, aquele que traz a boa nova da vinda do filho de deus?
- Níobe é também uma personagem da mitologia grega, ligada à fertilidade, neste caso diria tratar-se da representação da vontade, da tenacidade;
- Trinity, Trindade, a santíssima trindade cristã ou a deusa celta: a donzela, a mãe, a anciã, a Senhora do destino?
Existem outras referências a deidades com particular significado no filme, por exemplo, Proserpina (Persephone). 
Chyper será Judas!?
No decurso dos filmes, Cypher, o traidor, tem aliás uma frase muito elucidativa, defendendo a ideia de que é preferível viver uma vida faustosa, ainda que se trate de uma fantasia, do que viver a dura realidade de uma vida consciente. Parece-me que é isto que muitos de nós continuamos a fazer, ao que, nem as notícias televisivas são alheias. Depois de uma notícia de atrocidades cometidas lá longe, vem sempre a notícia melosa do panda nascido em cativeiro: «longe dos olhos, longe do coração». 
A eterna luta entre o bem e o mal ou a tentação de Cristo!?
Também não fica em falta a referência ao merovíngio, uma alusão aos reinos e aos governos decadentes, onde não falta a corrupção, a traição, a dissimulação, e, um séquito de seguidores oportunistas e bajuladores.
Existem outras alusões na trilogia que nos remetem para uma nova abordagem à história da vida de Cristo. A mais evidente, é a “crucificação” final de NEO, ao ser levado pelas máquinas para, quem sabe, ressuscitar no paraíso.
Enquanto existir alguém disposto a morrer pelos pecados da humanidade, o mundo será sempre o que foi: a ilusão de que pensamos pela nossa cabeça, ainda que as ideias nos sejam subliminarmente incutidas todos os dias da nossa existência; e, de que todos os pecados serão perdoados pela imolação dos inocentes. O mundo têm muitos úteros, e nenhum deles melhor do que a Matriz (Matrix). 
Por não ser entendido na matéria, não entro pela Teoria das Cordas e do Multiverso, mas talvez valha a pena pensar nisso.
No fundo, todo o filme (trilogia) é uma crítica social, à qual não falta o oráculo. Nada melhor que obter uma resposta às nossas dúvidas por um terceiro, a quem também se possa culpabilizar se as nossas expectativas não se concretizarem. 
Nada de novo portanto, mas magistralmente retratado por uma trilogia aparentemente ilusória quanto ao seu provável propósito de pura diversão.

Não sou especialista na matéria, nem tenho ambições de crítico cinematográfico, apenas me apeteceu partilhar estes pensamentos convosco. Quem sabe, numa próxima visualização desta excepcional trilogia, a possam ver com outros olhos. Partilhem as vossas opiniões, se assim o entenderem. Terei todo o gosto. Até breve!...

© Fernando Alagoa
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