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FERNANDO ALAGOA

Blogue Oficial

FERNANDO ALAGOA

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10
Fev18

A propósito do III Volume

Nota do autor

 

Conceber uma história é levar o nosso desassossego aos outros.

É provável que o mundo do escritor seja um universo de inquietações, de aflições, de incertezas e sobretudo de encruzilhadas quase sempre impossíveis de trilhar. Talvez uma das formas de apaziguar essa agitação seja transmiti-la aos outros. O mundo só faz sentido em função dos outros. Por isso, ao escrever uma história, não podia deixar de fazer chegar essas inquietações aos leitores, lançando sobre eles algumas provocações. E, para isso, nada melhor do que abalar verdades que temos como certas.

Independentemente do género literário, o que escrevo só faz sentido se comportar uma mensagem. Para mim, essa é a função primordial. Sou um apreciador da prosa poética, que começo a utilizar noutros textos que vou explorando, mas continuo a julgar que a mensagem é mais importante do que a estética da linguagem.

Chegados ao terceiro volume desta trilogia, considero importante expressar o que pretendi transmitir em cada uma das histórias, sem descurar o facto de o livro ser algo em constante renovação, já que permite uma infinidade de interpretações, na medida em que cada leitor o transforma em função das suas próprias vivências. O livro é, assim, um catalisador de emoções e o somatório de todos esses momentos irrepetíveis e únicos, intrínsecos a cada leitor.

Mas, antes disso, a inquietação primeira é a do autor e é essa que importa aqui revelar.
Assim, no primeiro livro da saga, Os Senhores do Universo e o Milagre de Fátima, mais importante do que o tema para o qual o título — dado a equívocos — remete, é a mensagem manifestada através da frase: «Imaginem um povo…». Mensagem essa já sugerida por alguns pensadores do nosso tempo e que John Lennon tão bem expressa no seu tema «Imagine», cujo último verso tão bem ilustra: «E o mundo viverá como um só».

No segundo livro, Os Senhores do Universo e a Princesa Demónio, destacam-se sobretudo duas mensagens. Uma delas está contida na aparente contradição do título da obra: Princesa Demónio. Se a Princesa representa o belo, o bem e a infindável capacidade que o ser humano tem de realizar obras maravilhosas, não se pense que o Demónio representa o mal. Antes de mais, será importante referir que esta personagem só poderia ser uma mulher. Primeiro, porque as mulheres são indescritivelmente mais belas do que os homens; depois, porque apenas as mulheres são capazes de um amor incondicional e absoluto. O Demónio não é, assim, a representação do mal, por oposição ao bem, mas antes a representação da perseverança e da resiliência da humanidade para ultrapassar obstáculos. Mais uma vez, esses atributos são enfatizados através da figura feminina, dando-lhe o destaque que a mulher merece, apesar de, em pleno século XXI e num mundo dominado por homens, continuar a ser amordaçada e tratada como «coisa».

A outra mensagem segue o caminho de homens como Gandhi e está expressa na frase: «Pode abalar-se o mundo com doçura», assumindo a tolerância um papel preponderante.

Neste terceiro livro, embora não queira adiantar muito, destacam-se também algumas mensagens. Desde logo, a de que «o Homem é a medida de todas as coisas». Uso a frase certamente num sentido diferente de Protágoras. Só quando o Homem se assumir como centro do mundo, poderá assumir a responsabilidade total das suas escolhas, sem se desculpar ou esperar que alguém morra na cruz pelos seus actos. A procura incessante que nasce na insatisfação que todos os homens experimentam resulta apenas no facto de não nos conhecermos a nós próprios. A resposta está e sempre esteve em nós mesmos. 
Uma outra mensagem que pretendo transmitir, prende-se, mais uma vez, com o bem comum, o bem universal, tão simples de concretizar, mas até hoje tão distante, que parece inatingível.

Existe ainda uma mensagem comum a todas as obras que remete para o respeito que devemos reservar às palavras dos sábios, ignorando-se os sofistas da palavra, mas tendo sempre presente que os primeiros também se enganam.

Retenho sempre estas palavras de Henry Miller, que vos deixo: «Ao expandirmos o campo do conhecimento, apenas aumentamos o horizonte da ignorância».

Portanto, conhecer é também duvidar e fazer repetidamente novas perguntas.

Fernando Alagoa

 

Leia o artigo sobre o nascimento da saga

© Fernando Alagoa
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