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FERNANDO ALAGOA

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FERNANDO ALAGOA

Saga

Sobre o nascimento da saga

 

A saga reflecte uma forma muito própria de pensar o mundo, que não é única, nem exclusiva, mas com a qual me identifico.

Com os meus 5 anos, já devia ser ateu, à força de tanto ouvir dezenas de novenas radiofónicas por imposição da minha beata avó materna. Principalmente no Verão, passava as tardes solarengas brincando à sombra de uma frondosa amoreira, ouvindo histórias de Deus e do Diabo. 

Santos e anjos caídos povoaram o meu imaginário de criança e também os meus pesadelos. Ouvia falar sobre o reino dos céus e do inferno, sobre os castigos e as tormentas atribuídas aos pecadores, sobre a bondade divina, os milagres, mas também sobre as guerras santas, a Inquisição, o livre arbítrio e os dogmas.

Uma guerra santa parece-me um paradoxo absurdo; o livre arbítrio uma isenção vitalícia concedida a Deus e os dogmas verdades absolutas contrárias ao diálogo, à crítica e à dúvida.

Nada disto bastava ou satisfazia o meu entendimento sobre as coisas e aquela ideia de Deus como um senhor velho de barbas que tudo vê e sabe, omnipresente, omnisciente e omnipotente, também não me convencia. Tinha de existir algo mais.

À medida que ia crescendo, ia-me confrontando, como é natural, com outras realidades: evolução, Darwin, selecção natural e muitos outros deuses e religiões.

Escolher um Deus não é tarefa fácil e perceber qual das religiões melhor me completava enquanto pessoa um verdadeiro dilema.

Um dia, surgem os ovnis e a possibilidade da existência de outros mundos e de outros seres. E com eles, o conhecimento de algumas teorias, pelas mãos de homens da ciência e com provas dadas, como por exemplo, Carl Sagan (1934 - 1996, astrónomo Americano) e Artur C. Clark (1917 - 2008, escritor e inventor britânico), que afloram este tema em Contacto e 2001 Odisseia no Espaço.

Estas teorias, não são recentes, mas sofreram um grande impulso com a publicação do livro "Chariots of the Gods?", em 1970, do suíço Erick Von Daniken (1935).

Percebi assim que não estamos sós enquanto seres humanos e eu também não estava só neste pensamento. Não era o único a pensar o mundo desta forma, pois existiam imensas pessoas, estudiosos, astrónomos, biólogos, astrofísicos, entre muitos outros, que partilhavam as mesmas ideias que eu, ou eu as deles.

Estas teorias conhecidas como teorias dos "Antigos Astronautas", basicamente, referem que o ser humano descende de seres que visitaram a Terra há milénios ou que foi geneticamente modificado por eles, o que talvez resolvesse o problema do elo perdido.

Foram esses seres que nos transmitiram a base do conhecimento, da cultura e da religião, embora algo se tenha perdido na história da humanidade.

Todos nós já ouvimos falar de vários mistérios que continuam por explicar:

- as caveiras de quartzo do México;

- as estátuas da ilha da Páscoa;

- a impossibilidade de ainda hoje não se conseguir deslocar as enormes pedras das construções milenares;

- a Atlântida;

- a cultura maia e o baixo-relevo gravado em pedra, na tampa do sarcófago do Rei Pacal, representando uma máquina voadora.

- O Pássaro de Sakara;

- E muitos outros mistérios.

Estas teorias começam hoje a ganhar mais força e, embora algumas delas sejam demasiado rebuscadas, parece-me que a história da humanidade tem de ser reescrita.

Por curiosidade, o Vaticano, em 2008, reconheceu a possibilidade da existência de vida extraterrestre.

Ora, a saga não fala destas teorias mas, através dos livros da colecção, evoca-as e é um reflexo desta forma de pensar.

Colocar estas aventuras em solo nacional, dando especial relevo à nossa história, aos nossos monumentos, à nossa cultura é, um prazer incomensurável!

 

Fernando Alagoa

 

Nota sobre o III Volume

 

Conceber uma história é levar o nosso desassossego aos outros.

É provável que o mundo do escritor seja um universo de inquietações, de aflições, de incertezas e sobretudo de encruzilhadas quase sempre impossíveis de trilhar. Talvez uma das formas de apaziguar essa agitação seja transmiti-la aos outros. O mundo só faz sentido em função dos outros. Por isso, ao escrever uma história, não podia deixar de fazer chegar essas inquietações aos leitores, lançando sobre eles algumas provocações. E, para isso, nada melhor do que abalar verdades que temos como certas.

Independentemente do género literário, o que escrevo só faz sentido se comportar uma mensagem. Para mim, essa é a função primordial. Sou um apreciador da prosa poética, que começo a utilizar noutros textos que vou explorando, mas continuo a julgar que a mensagem é mais importante do que a estética da linguagem.

Chegados ao terceiro volume desta trilogia, considero importante expressar o que pretendi transmitir em cada uma das histórias, sem descurar o facto de o livro ser algo em constante renovação, já que permite uma infinidade de interpretações, na medida em que cada leitor o transforma em função das suas próprias vivências. O livro é, assim, um catalisador de emoções e o somatório de todos esses momentos irrepetíveis e únicos, intrínsecos a cada leitor.

Mas, antes disso, a inquietação primeira é a do autor e é essa que importa aqui revelar.
Assim, no primeiro livro da saga, Os Senhores do Universo e o Milagre de Fátima, mais importante do que o tema para o qual o título — dado a equívocos — remete, é a mensagem manifestada através da frase: «Imaginem um povo…». Mensagem essa já sugerida por alguns pensadores do nosso tempo e que John Lennon tão bem expressa no seu tema «Imagine», cujo último verso tão bem ilustra: «E o mundo viverá como um só».

No segundo livro, Os Senhores do Universo e a Princesa Demónio, destacam-se sobretudo duas mensagens. Uma delas está contida na aparente contradição do título da obra: Princesa Demónio. Se a Princesa representa o belo, o bem e a infindável capacidade que o ser humano tem de realizar obras maravilhosas, não se pense que o Demónio representa o mal. Antes de mais, será importante referir que esta personagem só poderia ser uma mulher. Primeiro, porque as mulheres são indescritivelmente mais belas do que os homens; depois, porque apenas as mulheres são capazes de um amor incondicional e absoluto. O Demónio não é, assim, a representação do mal, por oposição ao bem, mas antes a representação da perseverança e da resiliência da humanidade para ultrapassar obstáculos. Mais uma vez, esses atributos são enfatizados através da figura feminina, dando-lhe o destaque que a mulher merece, apesar de, em pleno século XXI e num mundo dominado por homens, continuar a ser amordaçada e tratada como «coisa».

A outra mensagem segue o caminho de homens como Gandhi e está expressa na frase: «Pode abalar-se o mundo com doçura», assumindo a tolerância um papel preponderante.

Neste terceiro livro, embora não queira adiantar muito, destacam-se também algumas mensagens. Desde logo, a de que «o Homem é a medida de todas as coisas». Uso a frase certamente num sentido diferente de Protágoras. Só quando o Homem se assumir como centro do mundo, poderá assumir a responsabilidade total das suas escolhas, sem se desculpar ou esperar que alguém morra na cruz pelos seus actos. A procura incessante que nasce na insatisfação que todos os homens experimentam resulta apenas no facto de não nos conhecermos a nós próprios. A resposta está e sempre esteve em nós mesmos. 
Uma outra mensagem que pretendo transmitir, prende-se, mais uma vez, com o bem comum, o bem universal, tão simples de concretizar, mas até hoje tão distante, que parece inatingível.

Existe ainda uma mensagem comum a todas as obras que remete para o respeito que devemos reservar às palavras dos sábios, ignorando-se os sofistas da palavra, mas tendo sempre presente que os primeiros também se enganam.

Retenho sempre estas palavras de Henry Miller, que vos deixo: «Ao expandirmos o campo do conhecimento, apenas aumentamos o horizonte da ignorância».

Portanto, conhecer é também duvidar e fazer repetidamente novas perguntas.

 

Fernando Alagoa